terça-feira, 15 de maio de 2012

Uma versão brasileira da Cinderela


BICHO DE PALHA
(Conto recolhido por Câmara Cascudo no Rio Grande do Norte)
Contam que um homem muito rico enviuvou e casou novamente, tendo uma filha, Maria, que se punha mocinha e que era linda. A madrasta antipatizou logo com a enteada e se tomou de ódio quando teve uma filha e esta era relativamente feia, comparada com Maria.
O homem possuía propriedades espalhadas e vivia viajando, dirigindo seus negócios. Durava pouco tempo em casa e nesses momentos, Maria passava melhor. Na ausência do pai a madrasta obrigava-a aos serviços mais rudes e pesados, alimentando-a do que havia de pior e em quantidades insignificantes.
A vida ficou insuportável para a moça que se consolava rezando e chorando. No caminho do rio onde ia lavar roupa, encontrava sempre uma velhinha de feições serenas e muito boa. Maria acabou contando seus sofrimentos e o silêncio para não magoar o pai. A velhinha animava-a com palavras cheias de doçura. Como a madrasta fosse se tornando mais violenta e brutal, a enteada resolveu abandonar a casa e ir procurar trabalho longe daquele inferno. Encontrou-se com a velhinha e confessando sua idéia, a velha concordou, aconselhou-a muito, deu-lhe a bênção e na despedida, tirou uma varinha pequenina e branca como prata, dizendo:

            – Leva esta varinha, Maria, e quando estiveres em perigo, desejo ou sofrimento, deves dizer: "minha varinha de condão, pelo condão que Deus te deu, dai-me". E tudo sucederá como pedires.
Maria agradeceu muito e fugiu. Antes, obedecendo ao conselho da velha, fez uma grande capa de palha entrançada com um capuz onde havia passagem para olhar, e meteu-se dentro
 Depois de muito andar, chegou a uma cidade importante. Pediu emprego num palácio e lhe disseram não haver mais lugar. Ia saindo, triste e com fome, quando um empregado lembrou que precisavam de alguém para lavar as salas, corredores e escadas e limpar os aposentos da criadagem. Maria aceitou o encargo e, graças ao seu vestido singular, só a chamavam "Bicho de Palha". Suja, silenciosa, retirada pelos cantos, trabalhando sempre, Bicho de Palha não incomodava ninguém e todos a toleravam.
 O palácio era de um príncipe moço, bem feito e airoso, que ainda tinha mãe, e estava na idade de casar. Noutro palácio, no lado oposto da cidade, realizariam festas durante três dias. As moças estavam alvoraçadas com os bailes, assistidos pelos rapazes da sociedade. No palácio a conversa versava sobre os bailes. Amas, visitantes e criadas comentavam a organização e o esplendor das três noites elegantes.
 Finalmente chegou a primeira noite. Bicho de Palha, através dos orifícios de sua máscara, olhava o príncipe e o amava sinceramente. Rondava, discretamente, por perto dele, ansiando por uma ordem. Já de tarde, não havendo outra empregada por ali, o príncipe gritou:
   – Bicho de Palha! Traga uma bacia com água...
Bicho de Palha levou a bacia e o príncipe lavou o rosto. Depois, todos foram para o baile, uns para dançar e outros para ver. Ficando sozinha no seu quarto escuro, Bicho de Palha despiu a capa, pegou a varinha e comandou, como a velhinha lhe ensinara:
 – Minha varinha de condão! Pelo condão que Deus te deu, dai-me uma carruagem de prata e um vestido da cor do campo com todas as suas flores.
Palavras ditas, apareceu a carruagem de prata, cocheiros e servos, um vestido completo, do diadema aos sapatinhos cor do campo com todas as suas flores.
Bicho de Palha vestiu-se, tomou a carruagem e foi para o baile onde causou sensação. O príncipe veio imediatamente saudá-la e só dançou com ela, não permitindo que os outros moços se aproximassem. Confessou que estava impressionado e perguntou onde ela residia. Bicho de Palha ensinou:
– Moro na Rua das Bacias...
 À meia-noite em ponto, pretextando ir respirar o ar livre, a moça correu para sua carruagem que desapareceu na estrada. O príncipe ficou inconsolável e saiu da festa logo a seguir.
   No outro dia, no palácio, as criadas contavam ao Bicho de Palha as peripécias do baile e a princesa misteriosa que fora a roupa mais bela e o rosto mais formoso da noite. O príncipe despachara muitos criados para procurar a Rua das Bacias, mas todos regressaram sem saber informar.
Nessa tarde, o príncipe pediu a Bicho de Palha uma toalha. Quando todos partiram para a festa, Bicho de Palha pegou a varinha e obteve uma carruagem de ouro e um vestido da cor do mar com todos os seus peixes. Vestiu-se e foi para o palácio do baile. Logo na entrada, toda a gente a reconheceu e aclamou-a como a mais elegante, graciosa e simpática. O príncipe não saía de perto dela, conversando, dançando, fazendo mil perguntas. Insistiu pelo endereço da moça.
                – Não moro mais na Rua das Bacias e sim na rua das Toalhas. Mudei-me hoje.
Aconteceu como na primeira noite.
 Bicho de Palha inventou uma desculpa e meteu-se na carruagem que correu relâmpago. O príncipe saiu também e passou o outro dia suspirando e mandando procurar, em toda a cidade, a tal Rua das Toalhas.
Bicho de Palha ouviu as impressões entusiásticas dos empregados na cozinha, todos contando a paixão do príncipe e a beleza da moça.
Na tarde desse dia o príncipe pediu a Bicho de Palha um pente. Vendo-se sozinha no palácio, Bicho de Palha invocou o poder da varinha de condão e recebeu uma carruagem de diamantes e um vestido da cor do céu com todas as suas estrelas.
Entrando no salão do baile, Bicho de Palha recebeu as saudações como se fora uma rainha. Ninguém jamais vira moça tão atraente e um vestido tão raro. O príncipe andava atrás dela como uma sombra, servindo-a e perguntando tudo, doido de amor. Bicho de Palha disse que se havia mudado para a Rua dos Pentes, definitivamente. E dançaram muito.
Perto da meia-noite, sabendo que era a hora em que moça desaparecia como se fosse encantada, o príncipe chamou seus criados e mandou abrir uma escavação junto do portão do palácio, esperando que a carruagem parasse. Tal, porém, não se deu, Bicho de Palha saltou para a carruagem e esta disparou como um raio, pulando o fosso, mas, o solavanco fora tão brusco que um sapato de Bicho de Palha, atirado fora da portinhola, perdeu-se. Um criado achou-o e levou-o ao príncipe, que ficou satisfeitíssimo.
Debalde procuraram na cidade a tal Rua dos Pentes. O príncipe deliberou encontrar a moça por outra maneira. Mandou levar o sapatinho a todas as casas, calçando-o em todos os pés. Quem o usasse perfeito, nem largo, nem apertado, seria a encantadora menina dos bailes.
Os criados andaram rua acima e rua abaixo, calçando sapatinho nos pés das moças e das velhas. Nenhuma conseguia dar um só passo com ele no pé. Voltaram os criados para o palácio e experimentaram calçar os chapins nas empregadas e amas. Nada. Finalmente uma criada encarregada lembrou que Bicho de Palha não fora convidada para calçar o mimoso calçado.
Riram todos, mas, para que o príncipe não os acusasse de ter deixado alguém de calçar o sapatinho, mandaram buscar Bicho de Palha, como motivo de riso, e lhe disseram que experimentasse. Bicho de Palha com a varinha na mão, pediu que lhe aparecesse no corpo, por baixo da capa de palha, o vestido da terceira noite da festa.
O príncipe veio assistir. Bicho de Palha, cercada pela criadagem que ria, meteu o pé no sapatinho e este lhe coube perfeitamente. Depois estirou o outro pé e todos viram que calçava sapatinho igual ao primeiro. Mal podiam crer no que viram, quando caiu a palha e apareceu a moça formosa dos três bailes, com o vestido da cor do céu com todas as estrelas, o diadema com a lua de brilhantes, tudo rebrilhando como as próprias estrelas do firmamento. O príncipe precipitou-se abraçando-a e chamando por sua mãe para que conhecesse a futura nora.
Casaram logo. Bicho de Palha contou sua história, e a varinha de condão, cumprida a vontade da velhinha, que era Nossa Senhora, desapareceu, deixando-os muito felizes na terra.

 RIBEIRO, José. Brasil no folclore. 3ª ed. revista e ampliada. Rio de Janeiro, Editora Aurora, sd, p.83-87.



Chapeuzinho Vermelho por Rui de Oliveira

Pessoal, esta é a imagem da folha 32 que ficou ruim na xerox. Avisem aos colegas, pois não estou conseguindo postar a imagem no facebook. Obrigada!



OLIVEIRA, Rui de. Chapeuzinho vermelho e outros contos por imagens. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O menino e o sinal (Georgina Martins)

O menininho desta história também era um desses meninos que vivem pelas ruas, só que eu não oencontrei na livraria. Acho que ele nunca havia entrado em uma. Era tão magrinho e raquítico quanto ooutro e, muito provavelmente, tão sem casa e sem mãe quanto. 

Certamente ele nem sabia ler. Pelo seu jeitinho pude perceber que não era livro o que ele queria.

Era bem miudinho, quase não dava para enxergá-lo de dentro de um carro, e isso era um tantoperigoso, pois ele, pelo que pude perceber, era um freqüentador assíduo dos sinais de trânsito, tamanha eraa sua agilidade para se desviar dos carros que avançavam o sinal. Mas mesmo assim eu achava perigosopara um menininho daquele tamanho viver entre os carros. Não sei o que você pensa sobre isso, mas paramim sinal de trânsito não é o melhor lugar para crianças ficarem. 
 
Acho que, naquela noite de inverno, eu já pensava nessas coisas quando, ao fechar o sinal, percebiaquela coisinha miúda, com um pedaço de caco de vidro na mão, bem junto da janela do meu carro, comuma cara muito brava e uma voz que era um fiapo, de tão fininha: 
 
- Moça, passa o dinheiro e o relógio, senão eu vou de cortar! 
 
Imagine você o susto que eu levei! Olhei para o lado e fiquei sem entender direito como ummenininho daquele tamanho conseguiria me fazer mal. 
 
Mas pareceu-me que ele estava falando sério: 
 
- Anda logo, eu não tô brincando! 
 
Naquela hora eu me lembrei dos meus filhos, tão pequeninos quanto ele e, às vezes, tão malcriadosquanto. O molequinho era muito atrevido. Merecia umas boas de umas palmadas e depois uma camaquentinha para consolar suas lágrimas. Era o que minha mãe me dizia depois de um chega pra lá: “Váchorar na cama que é lugar quente!” 
 
Mais que tudo, na verdade, acho que ele precisava mesmo era uma boa cama, bem quentinha, paraembalar não só as suas lágrimas, mas principalmente os sonhos dos seus... sei lá, cinco anos de idade. 
 
Olhei para aquele menininho com uma cara bem séria, acho que do mesmo jeito que olho para ospequenininhos lá de casa quando estão fazendo besteira, e falei rispidamente: - Fique calmo, vou te dar meu relógio e o dinheiro. Não precisa ficar nervoso. 
 
Devo confessar que eu estava com muito medo, não sei se do menino ou se de arrancar com ocarro e machucar o braço dele. 
 
Ele me olhou e, com os olhos brilhando, quase feliz, me disse:- Então não vou te cortar mais não tá, tia?!
  
  Dei a ele o relógio, uma nota de dez reais e, quando o sinal abriu, arranquei com o carro depressa.Já estava longe dele, mas ainda podia ouvi-lo repetir:

 - Então não vou te cortar mais não, tá?!

 Parecia os pequenininhos lá de casa quando tentam me fazer desistir de puní-los por causa de suastravessuras: “Então não faço mais isso não, tá? Não vou chorar mais não, tá? Não vou mais bater nomaninho não, tá?” 

Acho que naquela hora, se eu convidasse, ele aceitaria comer uma pizza.Georgina Martins.
 
No olho da rua – historinhas quase     tristes
Editora Ática, 2004.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Versão original de "A pequena sereia" (H. C. Andersen)

A Pequena Sereia era a filha caçula do rei Tritão, era uma sereia diferente das outras cinco irmãs. Era muito quieta, não era difícil vê-la distante e pensativa.

Desde os dez anos, a Pequena Sereia guardava uma estátua de um jovem príncipe que havia encontrado num navio naufragado. Passava às vezes horas contemplando a estátua, que aguçava ainda mais sua vontade de conhecer o mundo da superfície. Porém, esse seu desejo só poderia ser realizado quando completasse quinze anos. Nessa idade é dada a permissão para as sereias nadarem até a superfície do mar.

Para a Pequena Sereia esse dia especial parecia nunca chegar. Ela acompanhava a cada ano os quinze anos de cada uma das suas irmãs, ansiosa para que o seu dia chegasse em breve também, e escutava atenta o relato de cada uma delas sobre tudo aquilo que viram. 

As irmãs contavam sobre os barulhos da cidade, as luzes, o céu, os pássaros, sobre as pessoas, animais, eram tantas as novidades que só aumentava o desejo da Pequena Sereia de conhecer aquele mundo.

A Pequena Sereia queria ver as cores douradas que surgiam no céu, quando o sol de escondia no horizonte. A chuva, com as nuvens cor de chumbo. Conhecer o arco-íris, as flores, as montanhas, as plantas.

Às vezes as cinco irmãs subiam juntas à superfície para passear, e a Pequena sereia ficava triste em seu quarto, no castelo. Sentia uma enorme angústia e uma coisa estranha: parecia ter vontade de chorar, embora as sereias não chorem, pois não têm lágrimas.

Até que o dia tão esperado chegou. O coração da Pequena Sereia saltitava de felicidade. Recebeu de presente da sua avó um colar de pérolas, símbolo da realeza. 

A pequena sereia chegou à superfície na hora do pôr–do-sol. O céu estava dourado com nuvens rosadas. Ela ficou maravilhada com o que via. 

Ela avistou um grande navio com três mastros e nadou até ele. O céu escureceu e no navio foram acesas centenas de lanternas coloridas. A sereiazinha nadou contornando o navio e, pela escotilha do salão, viu pessoas alegres, dançando. Um rapaz em especial chamou-lhe atenção. 

Passadas algumas horas, o vento começou a soprar forte. A lua e as estrelas sumiram do céu e começaram a surgir trovões e relâmpagos. 

O mar estava revolto, ondas gigantescas atacavam o navio. Os marujos assustados, retiraram as velas do navio. As pessoas gritavam assustadas. O navio balançava muito, até que uma onda gigantesca o tombou para o lado. A escuridão foi total.

Um raio iluminou o céu e a Pequena Sereia viu pessoas gritando e tentando se salvar nadando.
De repente a sereiazinha viu o príncipe. Ele estava se afogando. Ela sentia que tinha que ajudá-lo. Ela nadou entre os destroços do navio e o alcançou. 

O jovem príncipe estava desmaiado. Ela o segurou firmemente, mantendo a cabeça dele para fora da água, e flutuou com ele até a tempestade passar. 

Ao raiar do sol, a sereiazinha verificou que o príncipe respirava tranqüilamente. Ela ficou aliviada em ver que ele estava bem. Ficou tão contente que o beijou. Nadou com ele até uma praia, o deitou na areia e escondeu-se atrás das rochas. 

Ela viu que existiam algumas casinhas por perto, certamente alguém o encontraria. 

Logo uma jovem apareceu na praia e foi caminhando na direção do rapaz. Ele, que até então estava desmaiado, acordou e sorriu para a moça. A moça correu para buscar ajuda e em pouco tempo o príncipe foi levado ao vilarejo. 

A sereiazinha ficou aliviada por ter salvado o jovem, mas ficou triste pois temia não vê-lo novamente.

A Pequena Sereia voltou para o seu castelo no fundo do mar. As irmãs a encontraram triste e quieta. Após longa insistência das irmãs, a sereiazinha contou-lhes toda a sua aventura. 

Uma das irmãs sabia quem era o príncipe e sabia que ele morava em um castelo à beira-mar.
As seis sereias nadaram até lá. Esconderam-se atrás de uns rochedos, esperaram até que viram o príncipe e viram que ele estava bem. 

A pequena sereia pensava muito no jovem príncipe. Ela daria sua vida para ser humana e encontrar-se com o príncipe nem que fosse só por um dia.

Seu pai, o rei Tritão, estava preocupado com a filha, nem as festas no palácio alegravam a jovem sereia. Ela nem cantava mais nas festas, todos adoravam ouvi-la cantar, sua voz era linda. 

Numa noite, a Pequena Sereia tomou uma decisão: foi procurar a feiticeira do mar.
A feiticeira é uma bruxa, mora no meio dos redemoinhos, cercada de plantas cheias de espinhos e animais peçonhento e perigosos. A sereiazinha acreditava que a única pessoa capaz de ajudá-la a transformar-se em humana seria a feiticeira.

A feiticeira concordou em lhe dar duas pernas, mas a sereiazinha só se tornaria humana se o príncipe se apaixonasse e casasse com ela. Avisou que a sereiazinha sentiria terríveis dores nas pernas para o resto da vida e nunca mais poderia voltas ao fundo do mar. Caso o príncipe não se apaixonasse por ela e casasse com outra moça, depois da noite do casamento, o primeiro raio de sol transformaria a Pequena Sereia em espuma. 

A sereiazinha ficou assustada, mas aceitou correr o risco, pois queria estar com o seu amado. Em troca dos serviços da feiticeira, a jovem lhe daria a sua voz. Mesmo assim, a sereiazinha aceitou a proposta, estava decidida a tentar. A feiticeira deu-lhe um frasco contendo a poção que lhe daria as pernas .Em seguida roubou-lhe a voz. 

A sereiazinha não se despediu de ninguém e nadou em direção ao palácio do príncipe. Foi então que ela tomou a poção dada pela feiticeira. Imediatamente sentiu terríveis dores como se punhais lhe rasgassem a cauda. A dor foi tamanha que a jovem não agüentou e desmaiou. 

Quando amanheceu, a princesa acordou na praia, ao seu lado estava o príncipe, olhando-a curioso e preocupado. A sereiazinha percebeu que estava sem roupa, e possuía duas pernas no lugar de sua cauda. Cobriu-se então com seus longos cabelos. O príncipe quis saber seu nome e o que acontecera. Porém, a jovem não conseguia falar, não tinha mais sua voz. 

O príncipe a levou para o palácio, onde foi cuidada e alimentada. A sereiazinha passou a viver feliz naquele lugar ao lado do príncipe. Sofria terríveis dores sempre que andava, era como se algo furasse seus pés. Mas nada era superior a sua felicidade em estar com o seu amado. 

Cada dia que passava, o príncipe gostava mais da pequena sereia. As pessoas do palácio também se encantavam com a pequena sereia. Porém, o coração do príncipe e seus pensamentos pertenciam à jovem que o encontrara na praia; ele achava que ela o havia salvo. 

Um dia, a pequena sereia descobriu que o rei planejava casar o príncipe com a filha do rei vizinho. Eles fariam uma viagem de navio para conhecer a futura noiva. A pequena sereia ficou muito triste, pois se o príncipe se casasse com outra ela morreria. Ficou cheia de esperança quando o jovem príncipe lhe confidenciou que não se casaria com a jovem escolhida pelo seu pai, pois já amava outra moça. 

A sereiazinha acompanhou a família real na viagem. Na hora em que conheceu a futura noiva, o príncipe ficou encantado, era a mesma moça da praia. A pequena sereia viu que o príncipe estava apaixonado. Naquela mesma noite ele casou-se com a jovem princesa, a moça da praia. 

Enquanto todos festejavam, a princesa sofria de tristeza. Foi então para o convés observar o mar. Nesse momento ela viu suas irmãs, todas de cabelos curtos.Deram seus cabelos à feiticeira em troca de um punhal mágico. A Pequena Sereia precisaria matar seu amado com aquele punhal, antes do amanhecer, assim, poderia voltar a ser sereia e viver no fundo do mar. 

A sereiazinha, muito triste, pegou o punhal, foi até o quarto do príncipe e, vendo-o dormir tranqüilo ao lado da sua esposa, saiu correndo dali. A sereiazinha tinha um coração bom, e seu amor era verdadeiro, não poderia jamais matar o seu amado. Sendo assim, ela se dirigiu ao convés do navio, já estava amanhecendo. A sereiazinha, então, atirou-se no mar, no mesmo instante o primeiro raio de sol surgiu no horizonte, e assim o feitiço se realizou: Pequena Sereia virou espuma branca do mar.